sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Bilhete certo no bolso.



Vivos caminhando
Entre mortos, presos
Andando anestesiados.
Tudo efeito macabro
Dessa vida moderna.

A cadeia de uns é
O deleite de outros,
A única escolha
De alguns é a preferência
De outros pelo vazio

Do nada.
E o último suspiro acaba.
O último suspiro acaba.

Um mensageiro chega
E entrega o recado.
Um bilhete pago para a Vida
É guardado com outros que
Não estão pagos ainda.

Olha para o calendário
Do mês e diz: Outro dia
O mensageiro passa
Outra vez. Então, sai,
Mas guarda o bilhete

Errado.
E o último suspiro acaba.
O último suspiro acaba.

Queria ver o bilhete da Vida
No bolso, guardado como
Único bem de um povo
Que resiste em meio
À sociedade moderna.

O vivo passaria pelo morto
E choraria, mas estenderia
Sua mão com alegria.
E juntos veriam, um dia,
Que o último suspiro

Acaba.
E o bilhete certo no bolso?
O bilhete certo no bolso.

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