quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Um soneto para regar as flores na memória

No momento em que a ilusão ficar pesada demais,
Lamentar-vos-eis por terde-la segurado no tempo.
Aprendereis que os vossos sorrisos são mais tenros
Estando na boca dos outros, u'a flor que abre-se no cais,

Anunciando a vitória d'uma semente. Quão reais
São as flores carregadas na memória? Um alento.
Retendo-a pois - semente - no alforge bolorento,
Não era-vos ela apenas um peso nas mãos do capataz?

Semeai! A realidade vindoura desta semente,
Pesa por pensardes que ela fôra feita para brotar
No solo, sofrido e rachado, da ilusão presente.

Assim, despertareis do sono dormido nas garras a brilhar
Essa mentira palpável que cerca-nos tenazmente,
E vereis a real alegria esperando-nos semear.

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