domingo, 16 de novembro de 2025

Senso de Urgência

“E, em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos puserem diante. E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus. Mas, em qualquer cidade em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó que da vossa cidade se nos pegou sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto: já o Reino de Deus é chegado a vós.” Lc 10:8-11

Logo no início dos Evangelhos, antes mesmo que Jesus iniciasse publicamente seu ministério, João Batista anunciava o discurso de arrependimento atrelado à proximidade que o Reino de Deus manifesta sobre a humanidade. Jesus não apenas confirmou esse discurso como também ensinou os discípulos a compreenderem e anunciarem a relação que há entre a urgência de arrependimento e a proximidade do Reino dos Céus.
“Arrependei-vos, pois está próximo o Reino dos Céus" é uma sentença que pode ser encontrada facilmente nos Evangelhos e deixa evidente o senso de urgência decorrente de algo que está próximo de acontecer.
Contudo, infelizmente, não vemos este mesmo senso de urgência no comportamento de muitos cristãos atualmente. A pregação pode até ser parecida, mas não o comportamento.
Cotidianamente, vemos cristãos mais preocupados com ambições pessoais, ou com mera sobrevivência, do que com o prazo que se expira à medida que os anos passam e muitas pessoas continuam sendo ceifadas pelo inimigo. Nossas "coisas" se tornaram mais importantes que o nosso próximo. Desfrutar da liberdade que o Senhor nos dá, apenas com expectativas terrenas, tomou o lugar de uma liberdade que deveria ser desfrutada enquanto a cadeia dos outros é desfeita. Digo isso porque não fomos libertos para o nosso deleite, mas para anunciarmos a liberdade de Cristo ao próximo.
Cada pessoa que morre sem escutar a mensagem do Evangelho não pode ser banalizada como apenas "mais um" que passou pela oportunidade de remissão da qual Jesus fez participante TODA a Humanidade.
Precisamos resgatar esse senso de urgência pela salvação das almas que, dia após dia, passam por nós procurando salvação.
Afinal de contas, o Reino dos Céus está à porta de justos e injustos, mas ser participante deste Reino, enquanto outros ainda ignoram essa oportunidade, impõe sobre nós uma responsabilidade que nos fragiliza quando não cumprida.
Estamos salvos em Cristo Jesus, mas continuamos numa posição de indiscutível dependência da ação divina sobre nossas almas. E, se por um lado existe um prazo para que uma pessoa receba a salvação, por outro também existe um prazo para que anunciemos tal salvação.
Quem não conhece ao Senhor está sujeito a vaidade enquanto "aguarda com grande expectativa a manifestação dos filhos de Deus". Por isso, nós, que somos filhos, não podemos nos igualar a criação vivendo uma vida de pura vaidade. A criação tem grande expectativa com relação a nós. E enquanto isso desperdiçaremos o nosso tempo e a nossa condição com a mesma futilidade à qual estão sujeitos os perdidos?
A criação vive de expectativas terrenas porque não conhece o Evangelho. Nós que conhecemos não podemos desprezar a responsabilidade do ministério da reconciliação para vivermos como eles, com essa mesma expectativa apenas nas coisas terrenas.
Um comportamento assim pode revelar duas coisas: não concebemos qual é a realidade dos tempos atuais, da iminência do Reino dos Céus, ou então não aceitamos a responsabilidade que nos foi outorgada.
Se Deus nos deu a oportunidade de vivermos mais um dia, não foi para satisfazermos as nossas expectativas terrenas, mas para que mais pessoas descubram que existe um Reino de paz, onde somos perdoados de seus pecados e libertos de todo o fardo de culpa e acusação que nos aprisionam.
A oração feita pelo ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus exprime bem o discurso que precisa ser resgatado nos nossos lábios.

“Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino.” Lc 23:40-42

Reconhecermos nossa própria miserabilidade diante da responsabilidade perante a incumbência divina, enquanto anunciamos o Evangelho para que outros sejam libertos de suas misérias. Este é o nosso chamado!
Deixemos de lado nossas expectativas terrenas para caminhar na proposta que nos é oferecida pelo Senhor.

"Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" Mc 16:15

3 comentários:

  1. e me veio à cabeça esses dias, no intervalo de tempo em q vc postou até q eu lesse:
    "-Papai, cansei de brincar de fazer tudo certo. Podemos brincar de outra coisa!?"

    Não ha como acertar meu caro...porque nao se prega isso? Mudaria-se o foco e tesouros obscuros do coração do Rei talvez viessem à tona??

    Porque ainda vivos se ja ansiosos aguardamos os eternos sorrisos?? =/

    Gostei do texto...aguardo mais ;D
    abç!

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  2. Como são inspiratores os pontos de interrogação... Porque então preferimos o ponto final?
    Espero nascer um novo texto.
    Grande abraço.

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  3. Meu Pai adora "interrogação". "reticencias" entao nem se fala...

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