quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O frenético caminho solitário.



Passo o dia a encontrar tantos 
Que, sempre sem poder parar,
vão e dão lugar a outros.

Cruzam no caminho tantos outros 
Que, através de um olhar,
dizem sem poder falar.

Andam com os passos 
Sempre em outro lugar.
Vivem à procurar.

Trilham um caminho todo torto,
quando deixam para lá
a chance que têm de amar.

E quando finalmente tudo pára,
notam que se sentem sós,
mesmo com gente ao redor.

Andam com os passos 
Sempre em outro lugar.
Vivem à procurar.

O caminho do amor 
Está tão perto. Veja a flor,
que vive a vida arraigada:

Mesmo sem poder andar,
pode se multiplicar,
quando dá de si a outro.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Possivelmente.


Diante de tantas
Possibilidades de ser
E acontecer, 

Apenas a mais 
Remota jamais 
Será esquecida:

Seja você!
Pois é 

A partir daí,
E somente daí,
Que o Escultor irá te lapidar
À imagem da Pedra Angular.


sábado, 17 de novembro de 2012

Flores na memória. (esboço)


No momento em que a ilusão ficar pesada demais, lamentar-vos-eis por terde-la segurado durante tanto tempo. 
Aprendereis que os vossos sorrisos são mais leves quando estão na boca dos outros, como uma flor que abre-se, anunciando a vitória de uma semente.
Quão mais leves são as flores que carregais na memória? Pois, enquanto retínheis a semente no alforge, não era-vos ela apenas um peso na caminhada?
Semeai agora as sementes da realidade vindoura, invés de pensardes que elas foram feitas para brotar no solo da ilusão presente.
Assim, despertareis do sono dormido nas garras do brilho opaco dessa mentira palpável que cerca-nos, e vivereis a alegria da verdade sobrenatural que espera-nos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Amor atemporal.


Há momentos na vida que
deixam clara uma impressão:
Aquilo que ainda existe já passou
E aquilo o que já passou ainda existe.

Em meio a essa luta entre
tempos e acontecimentos,
E acontecimentos fora do tempo,
Não defenderei nenhum deles.

Antes, me refugiarei naqu´Ele
Que com Seu sangue me disse:
Nem todo amor é querer,
E nem todo querer é amor.

Pois assim entregarei finalmente
Em fé o meu coração
Ao Único que realmente quis me amar
E que por amor a mim se entregou à dor.

domingo, 27 de maio de 2012

Todo artista é um palhaço.

Logo quando acorda o artista
Levanta e veste o seu nariz de palhaço
Apronta-se para o espetáculo
Onde o público é a rotina
E o seu desafio é colori-la

Com o lápis gasto de sua ilusão
Faz de seu personagem uma profissão

Comunicar a um mundo de estranhos
Que ninguém o conhece, nem o vê.
Não interpretam as meticulosas palavras
Emitidas nas velhas piadas

Descritas em forma de ação
Viver para o artista é uma missão

Que arduamente desempenhada
Provoca no público um quase
Repetido a cada fim de tarde

No contemplar triste de um coração
A alegria de enxergar com outra visão

Diferente do que poderia ser
Todo ser humano é um artista
E todo artista é um palhaço
Um bom palhaço.